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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Diário de uma aula




30/04/2012?

A M............ leu “razão sem uso, o uso sem a razão”
Estas palavras prenderam-me.
Mas a M........ não as explicou porque começou a chorar.

Penso que tem algo a ver com limites, relação corpo/mente… não tenho a certeza

“Acabando com ilusionismos, abrindo os olhos para o realismo”
- A J................. conseguiu explicar o porquê desta transformação. Nunca tinha pensado nisso, mas acabou por fazer sentido. É tudo um processo tão coincidente, que a transformação se torna quase inevitável.
Será assim para tudo na vida?


Catarina Mauriti

A refeição que me acompanha Eça





Eça está criado. O seu estômago anda que nem um fósforo nos dedos.
Só consegue beber aguardente, só beber para manter o ardor.
Não consegue comer só porque não quer. Há coisas mais importantes do que comer. Há luvas de borracha com buracos que deixam os dedos húmidos.
Eça escreve com luvas de veludo e não as pode sujar a comer, tem que louvar esse respeito pelo veludo.
Mas o preto continua ali vazio para Eça, alheio para o vadio.
Só saboreia daqui quem quer arriscar, provar do próprio baço.   

Catarina Mauriti

Resposta da mulher citadina a Cesário





Ó tu que me observas entre essas cartas, esses olhares de quem quer mais do que a vista alcança.
Ó tu que tanto me queres, queres?
Deseja-me, sim deseja-me mais do que a outra qualquer outra mulher e talvez então eu sorria, te faça sorrir também. Talvez até mesmo descubras o meu nome, embora duvide.
Gostas do brilho do meu pó de arroz? Gostas dos brilhantes olhos por trás dos lábios vermelhos? Eu sei que sim…
Pois bem, é meu, sou eu. Sou sim, meu senhor, tua quase senhora, mais próxima do desejo que qualquer outra realidade. Sou tua fantasia diária, as minhas unhas arranham-te as palavras, talvez seja por isso que apenas me consigues observar.
Eu sei que gostas, tanto que gostas que continuas a olhar. Pensas que não reparo? Claro que reparo, apenas não quero saber.
Teu paleio galante não compra sequer cigarros, quanto mais diamantes.
Ó tu, que tanto sonhas, queres que te acorde?
Não respondas, é-me irrelevante o teu querer.

Catarina Mauriti