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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Trabalho espontâneo

                                          

Fernando Azevedo António Domingues António Pedro Marcelino Vespeira João Moniz Pereira

Cadavre exquis, 1948


O que surgiu de uma improvisação, de um exercício de Cadáver Esquisito,  com alguns elementos da turma: 
 

2º DRATAMENTO

A noite espelhada do ser que passa,
A matilha esquisita
Na cama revirada deitou
Na casa delinquente.
Indo coxa a cadela,
Mas quer para mim, este desassossego.
O rato gordo fugiu
Ao homem depravado
Na casa da lúdica sinceridade
Morre
Numa tensão palpável.


3º DRATAMENTO

Da vida vive inerte
No palco luminoso.
A mesa forte cedeu
Na escura rua com pedras da calçada
De uma vivência primitiva foge
Da novela rica.
A pura suja levava
Á postura curvilínea.
A tourada louca canta
Aos pobres que divagam.


4º DRATAMENTO

Um de se vai revelar
No toque quebrado.
Fugiu o ladrão maneta
Da vida luzidia
Grita, foge
E por fim, morre - 





Feito por: Ana Battaglia
                  Tomás Neves
                  Ana Rita António
                  David Cardoso
                  e José Rafael 

Dratamento surge das nossas iniciais que resultam em DRATA (David\Rafael\Ana\Tomas\Ana), com uma união talvez a documento.

domingo, 6 de maio de 2012

Pintadinho



(olhando um poeta pintor, como de costume à poesia – pintura agora lê de frente ao verso...).

  Saturna, a cor. Pedem-lhe as ruas melancolia tal, que esta conjunção entre o laranja avermelhado que mal se apercebe do preto escuro que lhe adorna, da noite – não lhe convinha senão de forma tão peculiarmente impressionante as sombras pesadas “da bílis” que transtornaram há muito, não só outros, como este Cesário pintor – ofereceu aos crentes dessas Ave Marias.
  Belíssimo, o quadro. A interferência dos exteriores, revestindo-se em contornos diluídos de edifícios monótonos pelas ruas, tão sós que iguais parecessem; quase que me confundiram agora em crítica surrealista a uma noite fechada.
  Rebolam, as emoções. Denotem-se estas típicas! Génio fora Cesário conseguindo pintar como nenhum outro fizera, os sentimentos tão paradoxais, mas génios nesta sua Ave Maria, entre a felicidade que me parecesse lá ao fundo de outros tantos pontinhos vindos do mundo. Estrangeiros habituais, talvez. E a mesma agora, enjauladas de pernas para o ar, edifica somente o degredo dos carrilíneos que atravessam uma Lisboa antiga.
  Infinito,o quadrado. Assemelham-se os elementos, mas continuo transtornado por tamanha história em tão pouca cor. Se calhar não me devo deixar admirar, pois me recordo agora na memória impressionismo que me paira em contexto.
  E falo de tantos elementos, como quem vê operários, aos tantos, debruçados sobre a despreocupação da enfadonha fasquia que segue, percebo, a mim, até ao cais. Ao famoso. Ah! Que me ocorrera o escritor, que não me ocorre agora o nome, tais versos, tão citadinos:
“E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no sul, salvando um livro a nado!
  Singram soberbas naus que eu não verei jamais!”
  Lembram-me estas figuras no Tejo, a pintura que enfrento, agora. Inspiram-me a alma.
  O dia e a noite, pela tarde. O barco que auxilia, também a este canto, romantiza todos os outros e mais alguns, e hotéis e casas que parecem estar na moda. Acho bela, a forma como este barco tudo abarca.
 “Melhor que andar, é descalçar os sapatos “; não sei pois de quem, mas por bem dissera, que Lisboa, tão gasosa a bordo de fragatas e prédios, e livros e poetas e noite, que se envolve numa peste de infeção que corrói a dignidade dos seus moradores.
  E chega de impressionismos, passemos a outra.

Gabriel

Tal como Cesário, portador de outra doença qualquer




  Revejo em Cesário, o que já me consome. Não vejo senão outra coisa qualquer que não doença, se por acaso intitulou de “Ao Gás” umas das quatro partes do seu mais emblemático poema, “O Sentimento de um Ocidental”. Não vejo como não sendo transtorno, se Cesário já retratara Lisboa – arrastando-a sobre “passeios e impuras” entre os “moles hospitais!”.
  Esta Lisboa, principalmente a de hoje – ou a que provém de alguns tempos, poucos, atrás, nunca se vira tão melancolicamente retratada, como o fez o poeta. Seria ele um defensor da arte enquanto patriota, ou estaria ele realmente doente para vê-la tão obscura e mal trajada?
 Era realista, verdade – fora outrora naturalista, também. Mas, o impressionismo o subscrevera na forma poética com que se envolvera.
 Sendo o impressionismo forma configurada observada aos olhos do pintor, quem me assegura, se os dele não estariam: turvos, amarelos, infetados, em “debuxo”. É certo que capacidades e génio não lhe faltaram, mas tanta inspiração e tão impressionada, que: ou ele lidara tão equivocamente com tais pestes ou ele próprio as sentira.
  E eu o vejo em mim, também. Porque me encontro em gostos de escrever sobre amor, sorte e aflição; mas em mim reconheço, doença crónica, de poeta, de desgosto interno pela verdade mal encarada e tão polémica que vemos hoje. Onde já se vira, agora, por Lisboa, jogarem-se corpos fora depois de uma noite louca e escaldante, aos recantos de jardins reais sobre a forma de... uso e deita fora. Cesário já o vivenciara certamente, e prever o futuro, também o soubera, apesar da cor.
 Adoro as expressões que usa, a real profundidade do núcleo vivo das coisas: “Não poder pintar/Com versos magistrais, salubres e sinceros”; “Dó da miséria”; “Compaixão de mim”.
  Reconhecera ele, tão doentia característica? Ou devo eu reconhecer tal verdade aos meus pés? Será realmente doença ou não será senão outra arte poética?

Gabriel


O que aprendi sobre...


Frei Luís de Sousa
Queria falar sobre o Frei Luís de Sousa
E o que aprendi
E disso vos falarei
Dizem que é uma tragédia
E muitas tragédias tem!

E lá estava Madalena
Coitadinha, digo eu
Pois um dia sem avisar
O seu marido desapareceu

Lá ficou ela abandonada
Com Telmo que dela cuidava

E um dia se fartou
E com D. Manuel se casou
Tiveram Maria, uma menina franzina
Mas muito esperta por sinal
Que não levava esta história como nada de mal
 Um dia um romeiro foi ter com Madalena
Mas ela não o reconheceu
Ficando ele cheio de pena

Pois que era afinal
Seu marido desaparecido
D. João de Portugal

Pois lá foram Madalena e Manuel
Para igrejas rezar´
E Maria morre de tuberculose
Sem ninguém avisar

E a tragédia acaba assim
Porque mais tragédia não poderia haver
Porque no fim acabou tudo por acontecer
FIM

Teresa 11º E


E porque nos transfiguramos?

                                             Maluda


Estamos constantemente a imaginar como seriam diferentes as nossas experiências sensíveis se tivéssemos a possibilidade de modificá-las.
Nós como seres insatisfeitos necessitamos de viver e entrar num outro mundo mental por breves minutos ou até simplesmente alguns segundos, pode chamar-se a esse lugar, com características bastante maravilhosas e traiçoeiras, ilusão. Já Cesário Verde o fazia quando transfigurava a realidade do seu tempo enquanto passeava pelas ruas de Lisboa, como é bem visível no seu poema Ao Gás quando diz “cercam-me as lojas, tépidas. Eu penso ver”.
Neste período de crise, onde cada vez mais se veem abruptamente as desgraças, não há que ter vergonha de transfigurá-las por breves momentos, de maneira a recuperar uma atitude positiva perante a verdade. É como criar uma aparência de um facto para poder encontrar algo que nos satisfaça e que nos recorde de como Lisboa é Gás, de como é um local que deposita algo que a cada dia nos traz posses de novidades que diretamente nos injetam uma vacina de felicidade permanente e eterna.  

Joana Costa

O poema escrito com cores



Encontrei a minha musa em onze estrofes de um poema de Cesário… um poema cheio de neblina, escurecido com monotonia. O Tejo, pintei-o com um negro azul para combinar com o entardecer. Destacam-se no espaço e no som os carros barulhentos, umas pinceladas ao longe como a própria “via-férrea e os que se vão. Felizes!”. Pincelei mais de perto e com maior pormenor as vigas de madeira, essas enormes e surreais gaiolas que pintei rapidamente e, com um toque, mais uma vez surrealista, pinteis uns morcegos manchados de negro: esses mestres carpinteiros que saltam de viga em viga. Pintei numa enorme mancha de jaquetões uns rostos de calafates, pinceladas rápidas e precisas. Noutro recanto da tela, ruas e ruelas escuras que dão acesso ao cais, num tom sépia os botes atracados. Mais adiante as masculinas varinas, pincel grosso na mão, gestos bruscos e traços fortes e curtos para as definir… e assim, da realidade saiu o poema e do poema a pintura que dedico a Cesário. Ave Marias!!!


Ana Potier, 11º D

Oficina de escrita


Impressionismo/Realismo na "pintura" de Cesário Verde
Carlos Botelho

"Avé Marias"

O que vês?
Vejo algo muito escuro, mesmo de perto, sente-se o sfumato.
Mas de longe, bem lá ao longe, surgem uns tons azuis, pinceladas fracas e mais calmas.
Algo monótono.
De um lado tudo tão real,
do outro, a fantasia permanece...
Contrastes.
Do real surgem as cidades, os hotéis da moda,
mulheres desesperadas que esperam e anseiam o que...
...do fantástico aparece.
Barcos carregadinhos de coisas e gente,
mas de repente surge, antes do barco um livro planando pelo alto mar.
E a embarcação para trás fica
sem nunca mais voltar 

Maria Varela

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Escrita criativa: Cesário pintor


Pintar a poesia de Cesário Verde (l.1-8, p.298)
I
Ave Marias
nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina


Leio este poema e parece que as suas palavras se transformam em algo belo e harmonioso, algo vibrante e atual, parece que o que as palavras descrevem ganham vida e se tornam parte do nosso mundo.
Mas olhando bem, sem turvar a nossa vista, conseguimos ver cada traço, cada pincelada, cada reflexo daquele que é o mundo em que vivemos.
Olhava de um quarto de uma casa alugada, com uma vista panorâmica da cidade de Lisboa, que era uma vantagem de só existir espelho entre ela e eu.
No meio deste quarto vazio encontrava-se um cavalete com alguns anos de uso, com algumas manchas de tinha que eram prova das grandes obras que tinha ajudado a criar, proporcionando um melhor conforto ao artista.
Ao seu redor encontravam-se algumas latas de tinta e pincéis que eu deixara espalhados desde a última vez que criara algo, e uma simpática cadeira que encontrara abandonada nas ruas desta cidade, mas em ótimo estado, como se ela quisesse que eu a encontrasse.
Acomodei-me na cadeira, peguei num pincel já um bocado enferrujado e deleitei-me com a paisagem noturna e maravilhosa da cidade. Estava cada vez mais bonita a cada noite que passava, embora esta não mudasse realmente o que era.
Olhava intermitentemente para a tela presa ao cavalete e aquele espetáculo de luzes a que costumava assistir todas as noites antes de me ir deitar; isso proporcionava-me sonhos maravilhosos.
Lembrando-me das confortante sensações que obtinha dos sonhos depois de um dia exaustivo, abri uma lata de tinta que tinha comprado há já uns dias e deixei-me levar pelos sons, pelos cheiros, pelos sabores e pelas texturas da cidade.
Um rádio tocava e o pincel dançava suavemente pela tela áspera, enquanto nascia uma obra como nunca ninguém teria visto.
Enquanto criava os prédios envoltos numa espessa neblina que nos deixava contemplar a arrepiante Lisboa noturna, a música mudou e com ela os movimentos do pincel tornaram-se vigorosos e precisos e começavam agora a criar a escuridão dos becos e das silhuetas que andavam rapidamente pelos passeios, para se refugiarem do perigo da noite; numa última mudança de sonoridade o pincel acalmou, e os seus movimentos eram minuciosos e fluidos, criando assim os reflexos e os traços de luz deixados pela pouca iluminação que lutava contra a escuridão.
Como não sabendo da existência desta obra, arregalei os olhos a esta minha maravilhosa criação, desacreditando da minha própria capacidade de criar algo tão belo e ao mesmo tempo tão arrepiante.
Este quadro apresentava traços esfumados e suaves, que fariam com que qualquer lugar adquirisse o mistério e fascínio da cidade.

Patrícia, 11º D

domingo, 29 de janeiro de 2012

O sujeito composto: brincar com a língua (oficina de escrita)



Sujeito Composto
 O sujeito e o composto muito se compõem nos perversos pensares amorosos dos humanos da Terra. Eu e ela, tu e ele, nós e vocês, eu e tu – são parte pronominal da qual, eles, os humanos não resistem em desprezar da sua vida. O que foi e o que será delas sem eles? Tudo e nada!
 Nós e vós, que ignoramos a fortuna vontade de um dia nos deixarmos de composto e sermos apenas um ser. Eu. Tu. Nem tu nem eu resistimos aos romances ouvidos, poemas lidos, canções cantadas, beijos trocados, seduções pecadas, entre muitos outros apertos quentes de abraços partilhados se em solidão o conseguíssemos fazer. Nós e vós somos necessitados, de uns, de outros!
 O sujeito e o sujeito são prova composta de que sem o composto fariam o mínimo sentido ou teriam sequer significado. Que seria do sujeito se não houvesse composto que o compusesse e do composto, que seria – se do sujeito não houvesse? Que sujeito composto!




Gabriel Filipe Duarte Gonçalves, 11E n10
Português, 03.11.2011