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sábado, 17 de março de 2012

Relatório de uma visita de estudo


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Santíssimo Tribunal da Inquisição,


Conforme pedido  por vossa excelência o inquisidor mor, relato aqui os eventos que tiveram lugar na passada missa de domingo, dia 14.  Dirigi-me à igreja de S. Roque para registar as provas de acusação ao pregador Padre António Vieira, tenho no entanto a informar vossa excelência que nada de blasfemo encontrei no seu discurso. Os seus lábios não teciam heresias, apenas verdades. O esplendor do seu sermão arrebatou os corações dos ouvintes e o meu. Deixou-me perplexo a fusão perfeita das palavras e da beleza da igreja. O fulgor da voz que falava do púlpito preencheu-nos a alma, assim como os floreados e dourados preenchiam as paredes. A humanidade do pregador assemelhava-se à dos rostos dos anjos que figuravam nas capelas. Todo o ambiente barroco que nos rodeava se unia incomparavelmente ao que ouvíamos. É assim impossível encontrar qualquer calúnia no meio de tal esplendor. Peço que retirem as acusações feitas ao Padre António Vieira pois se de alguma coisa ele é culpado é de dizer a verdade e de tocar os corações dos homens.

Margarida Gomes da Silva, 11º A

Texto argumentativo


T.P.C.: Texto Argumentativo


“O que me preocupa não é grito dos violentos, mas o silêncio dos bons” Martin Luther King

Martin Luther King, foi líder de movimentos que lutavam pelo respeito dos direitos dos negros e o fim da discriminação racial nos EUA, organizando vários protestos pacíficos, conseguindo por fim mudar a situação dos negros no seu país. Uma das suas frases mais célebres é “O que me preocupa não é o grito dos violentos, mas o silêncio dos bons” proferida num dos seus discursos político-sociais que deixa que pensar e se aplica ao dia-a-dia de qualquer pessoa.
Ora, de que adianta tanta bondade, paciência e honestidade dos bons se eles não divulgam isso e não lutam em favor de todo o grupo e das causas sociais e políticas? É isso que esta frase retrata, os maus podem tentar destruir, gritar, difamar, etc,..  isto é próprio deles, porque nada mais sabem fazer para construir, não conseguem projetar planos que beneficiem os outros, por isso optam pelo que é mais fácil: desdenhar, caluniar, difamar ou até mesmo matar.
Ainda assim existe algo pior: a convivência daqueles que tantas coisas boas podem fazer, mas preferem desistir de lutar e cruzam os braços diantes de tantas desgraças e situações conflituosas, acomodando-se nos seus mundos, nos seus egoísmos, o que os transformará em seres mais perversos do que aqueles ditos “maus”.
Por isso só temos duas soluções, ou os bons continuam calados enquanto o maus fazem o seu trabalho, ou nos revoltamos, falamos, discutimos,... acerca dos nossos direitos, como fez Martin Luther King pelos que eram consequentemente descriminados (só por terem uma cor diferente dos outros), pelo respeito dos direitos humanos, pelo seu país. Porque não é a ficar de braços cruzados que se resolvem as coisas – é a lutar.

Raquel Robalo, 11º A

ìndios e colonos

Pensamento do colono 
A diferença não é aceite aqui entre nós, homens brancos. Os negros e os peles-vermelhas não são como nós, portanto não poderão ter a nossa riqueza.
Padre António Vieira não tem razão no que prega, pois a sua mentalidade afasta-se do "normal", e o normal é ser um homem branco e não aceitar outro tipo de animais racionais. 
Nós somos os reis da terra e o resto são escravos : aqueles que nascem para nos servir, vivem para nos servir e morrem por nós.
Um pregador branco que prega aos animais não é um de nós, e por isso terá de escolher ou volta a ser quem sempre foi ou para sempre será um estranho. 
Eu sou um simples homem que luta pelo que a Natureza lhe deu: a inteligência de onde provêm a riqueza e o poder. 
Nós não discriminamos ninguém, simplesmente fazemos justiça.

Pensamento do índio
A Natureza é um bem tão essencial , que todos os animais querem apoderar-se dela. As naves, os peixes, os animais terrestres fazem todos parte da grande força que invade as nossas vidas e está presente em todo o lado. Todos nós somos diferentes, todos nós nascemos diferentes e cheios de força para viver. Se todos os seres são livres, por que razão nós não o podemos ser? Quem são estes homens e porque querem roubar-nos a liberdade? Não somos iguais de maneira nenhuma, mas somos vivos e queremos viver a vida a nossa maneira. Não iremos aceitar as suas regras, pois eles também não aceitam as nossas. Mais vale morrer do que ser quem não somos. 
 
Victorya, 11º A

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Índios e colonos (ainda)

Pensamento de um colono enquanto ouvinte do Sermão do Santo António aos peixes.

Ou não fosse Cristo ter criado raças diferentes entre pessoas: humanos e homens, e não haveria ninguém que nos trabalhos duros e sujos lhes metesse as mãos e os pés. Ou não fosse cristo ter criado raças diferentes entre pessoas: humanos e homens, e nós, gente de riqueza, poder, conhecedora do universo – jamais poderíamos estragar e sujar as nossas mãos e os pés, e com isso todas as leis e regras que nos distinguem desses índios que muito pouco manifestam o trabalho que lhes damos. Manifestariam eles se na terra não reconhecessem a função que nela desempenham se não o de apoiar os grandes homens nos seus duros e pesados trabalhos.
 Oiço Padre António Vieira a pregar aqui, em São Luís do Maranhão, não entendendo qual o seu tamanho manifesto contra uma corrupção – que tanto diz ele existir na terra. Talvez por enquanto pregador e seguidor de cristo, sinta a necessidade e vontade de doutrinar o mundo para que nele caia o corpo de cristo? Se o sal salgasse e se a terra se deixasse salgar, porque precisariamos então nós da força de cristo?
 Ainda, dispondo de uma doutrina que vira mundo contra mundo, Padre António Vieira não falta em dizer que cristo não solucionara todos os pontos corruptos na terra. “E a terra que se não deixa salgar, que se lhe há-de fazer?”, diz Vieira que cristo não o resolvera, mas que Santo António, português Santo, toma solução nunca antes tomada.
 Se da terra não existisse sal que salgasse, que seria de cristo no meio de tanta malícia? Sou um homem entre humanos que presta agora ouvido a um pregador da terra, mas que de indignação e compreensão não entendo porque tanto deles vem à ideia que na terra existe tanta corrupção que nós senhores do mundo não pudéssemos resolver. Que não percam tempo com histórias e cantigas.

Gabriel Filipe Duarte Gonçalves n 10 11E

Pensamento de um índio enquanto ouvinte do Sermão de Santo António aos peixes.

 Sou um pele-vermelha. Por entre pregadores, embarco no sermão de Santo António, aqui sobre a terra no lugar de São Luís de Maranhão.
 Pregando como que de cristo se tratasse, sonhor deles, prega o seu dever enquanto pregador – Padre Vieira. E por dever, digo, que quanto pregador de referência impõe sal – como diz – aos esquecidos pregadores da doutrina.
 Pois, porque da terra sal não faltará para impedir tal corrupçção. Basta que os pregadores preguem a sua doutrina e que os ouvintes os queiram ouvir fazendo o que eles dizem e não o que eles fazem. Mas para que na terra, nossa irmã, da vida que nós dá, seja visto o efeito do sal sobre a corrupção como tem o sal sobre o tempero dos nossos alimentos, ainda que plantados e pobres – meio da nossa sobrevivência – as pessoas que dos tijolos constroem os seus abrigos têm que à terra fazer demonstrar o valor que ela tem. E com isso não basta apenas que os pregadores preguem as suas doutrinas e não basta que os ouvintes os queiram ouvir, ou que sirvam apenas a cristo.
 Qual seria a corrupção da terra e o sal que nela não existisse, se de nós, que a ocupamos não lhe reconhecessemos os seus bem feitos enquanto nossa mãe, o seu nome e a sua natureza, transmintindo-o aos nossos filhos e aos nossos netos que transmitiriam aos seus filhos? Terra mãe. Nós, peles-vermelhas. Padre António Vieira que conta agora história de Santo António e o seu sermão aos peixes. Pois, este piedoso maltratado pelas pessoas que quase o despiam recusando-o e ao seu sermão.
 Padre António Vieira é agora nosso irmão. Doutrina essa que prega a cousa que enfrenta os seus discípulos ou ouvintes na corrupção que deixam na terra. Os colonos, essa gente que nos explora, jamais iriam ouvir ou querer ouvir o Padre Vieira ou Santo António nessas suas doutrinas, porque eles não se preocupam com o sal que falta à terra enquanto os seus apetites forem concretizados com o suor dos peles-vermelhas.
 Não queremos que os pisem ou que os desprezem. Os peles-vermelhas não são assim. Mas como pronunciara cristo, apenas queremos que nos deixem a liberdade para viver e preservar os valores e as rezas pela nossa terra irmã.

Gabriel Filipe Duarte Gonçalves
11 E   n10

domingo, 29 de janeiro de 2012

Oficina de escrita



Grande Inquisidor
Fui por si enviado para presenciar um sermão de Padre António Vieira e desse modo poder encontrar algo que o pudesse incriminar perante o nosso Tribunal da Inquisição.
Chegado a Lisboa, dirigi-me imediatamente para S. Roque, nada me fazia prever o que ali encontraria, apenas com o meu espírito sossegado faria o meu trabalho completamente convicto das minhas ideias sobre António Vieira e a sua incómoda e insinuante “voz”.
Após ter subido tortuosas ruas Lisboetas encontrava-me perante a Igreja, um edifício de fachada simples e austera, perfeitamente adequada aos cânones da igreja reformada, mas o seu exterior pouco ou nada me interessou, o meu trabalho chamava-me.
Centenas de pessoas encontravam-se à sua entrada, umas sentadas nas escadarias, outras em pé já prontas a entrar, outras observavam à distância com uma réstia de esperança que pudessem também elas entrar para ouvir um dos tão falados sermões de St. António. Eu, claro, dispus-me logo a entrar, não perderia por nada esta grandiosa oportunidade de incriminar este homem.
Foi nesse momento que, falando honestamente, me surpreendi como nunca antes me havia surpreendido. Nada me fazia prever a beleza estonteante, ou a riqueza que predominava aquele espaço. Fiquei completamente ofuscado, e terei de ser sincero, rapidamente esqueci o meu objetivo, apenas o meu olhar se prendia, às paredes, ao espaço, à arte, sem palavras era a minha situação.
Era um espaço amplo, um verdadeiro exemplar de uma igreja auditório, pronta e concebida para as melhores pregações, variadíssimas capelas preenchiam as suas paredes, claramente o barroco estava bem presente, mas a mais espantosa era sem dúvida a capela de S. João Baptista, uma autêntica obra-prima da arte italiana, única no mundo, constituída por quadros de mosaico, representando o Batismo de Cristo, o Pentecostes e a Anunciação, que beleza, quantos mármores ali se encontravam, o rico dourado com o esplêndido azul, de levar as lágrimas aos olhos do mais frio dos homens.
Todo o seu interior está repleto de telha dourada, pinturas e azulejos, quem poderia imaginar? O seu coro encontra-se estrategicamente posicionado nas costas dos fieis sobre a entrada principal.
Até a sagrada natureza impõem a sua presença, elementos botânicos revestem as paredes, as colunas entre outros, nos nichos sobre os dois púlpitos há estátuas de mármore branco dos quatro Evangelistas. No piso superior da nave está um conjunto de pinturas a óleo de beleza incomparável. Que horror ao vazio, sem comparação, tudo completamente coberto de arte, é uma exuberância, um dramatismo e dinamismo.
Por fim o meu olhar é puxado para o teto, quem haveria de dizer, que magnificência, um jogo de ilusão e riqueza, tais pinturas elevam o mais serio dos fieis a um estado espiritual fantástico, enganam o mundo com tais jogos, terei de me explicar melhor senhor, mas como, é como se duas abóbadas ou varandas se erguessem acima de nós, mas são falsas quem diria?, um espanto!
Mas bem, no momento que em Padre António Vieira entra e se mostra a nós toda a Igreja se cala para ouvir, as suas palavras começam a surgir, cria-se um ambiente, primeiro de felicidade, depois exaltam-se as almas, a verdade, a crua verdade é proferida, tão certa, tão sentida, uma revolta sincera, leva-nos puxa-nos para os nossos erros, para o nosso egoísmo e falsidade, quantos de nós estamos agora envergonhados pala nossa atuação na terra, quem somos nos para tais atitude, a mudança é imprescindível, necessária e urgente. O tempo passa rapidamente entre palavras, frases, parágrafos, hora também já lá vão, quem se preocupa com isso, ninguém, ninguém. Este homem ganhou tudo, a confiança, a adoração, o respeito de todos aqui dentro, eu inclusive não sou exceção.
Então subitamente acaba, o seu objetivo havia sido cumprido, aquela plateia ia agora para suas casas com um novo pensamento, uma nova esperança…
Quem sou eu? Sou diferente deles? Sou um homem à espera da verdade, mas que não pensa nas suas atitudes. Pelo menos agora sou diferente do que era antes desta experiência.
O meu trabalho aqui está feito, de mim mas não se espera, não sei se o meu objetivo foi cumprido como desejado. Nada de mal poderei dizer deste homem, porque nada de mal ele tem ou diz.

Assim me despeço de si Grande Inquisidor




Mafalda Bernardo, 11º A

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Relatório de um Inquisidor


Trabalho sobre a visita de estudo a S. Roque




Suposto pois escrever algo de modo a que o Padre António Vieira seja julgado pela Inquisição, não o consigo fazer! Estou preso! Estou preso numa porta, a do Paraíso! Fiquei impressionadíssimo com a sua sabedoria
Longa distância percorri, não quero que vá em vão todas estas recordações. Recordações dos meus pesados passos a baterem na calçada branca, ainda nova, da multidão formada no largo, a perguntar sobre o que é que seria o sermão naquele dia, formulando frases, afirmações e interrogações, que foram deitadas dos seus corpos ardentes para o fresco ar, misturando-se com os cheiros das flores, dos cafés, das perfumes… Melodia harmoniosa se formava constantemente!
Quando já estava na altura de entrar, tudo, numa passada lenta e calma, tentava escolher o melhor lugar da audiência.
Ao entrar na Igreja de S. Roque, evidenciou-se um monumento ímpar! Composta por uma fachada simples e austera, o interior deste jesuítico é rico em trabalho de talha dourada, mármores policromados, azulejaria, composições em mosaicos, pintura, escultura e relicários. Uma igreja salão compacta, desenvolvendo-se em andares com galeria sobre capelas laterais e cuja achada rígida, e de uma grande simplicidade, se articula em superfícies lineares. Encanto infinito!
À medida que me ia deslumbrando cada vez mais, surgiam histórias e mais histórias, revestidas por uma fina e leve talha, que permanecia descansada sobre estas.
Anjos calmos, assim como crianças, criam um cenário familiar e harmonioso. Um santo pronto a dar a mão e ajudar quem mais precisa.
Pintura ilusória, com uma perspetiva conseguida de abóbada, sobre um teto de madeira com uma superstrutura de vigamento, define-se num sistema arcaizante.
A riqueza vocabular e domínio verbal, os paradoxos e os efeitos persuasivos, seduzem a clareza dos seus argumentos de tom, e certas subtilezas irónicas, que o Padre António Vieira torna a sua arte em algo magnífico como a Igreja o é!
À medida que falava, a sua boca ia-se abrindo numa lentidão imensa, as palavras voavam com expressividade, com delicadeza. Saboreava-se o momento! Palavras que se apreciam, que salgam a nossa mente. Salgam pois porque precisamos de tal cousa! Precisamos de que nos abram os nossos olhos. Ele apenas nos diz a verdade! Porquê ocultar este dom?! Esta dádiva?! Sabemos que Jesus nasceu, viveu e morreu na pobreza e apenas quer que sejamos irmãos! Porque nos interessamos, nós, se somos grandes, se somos pequenos ou médios? O que interessa são as nossas ações! Porque, afinal, andamos a salgar a nossa terra? Não podemos, simplesmente, deixá-la em paz? Mas para isso teríamos de magoar o próximo com interesses económicos ou políticos. Já chega!
Não nos interessa se, no exterior, somos diferentes. O que aqui interessa são as nossas ações, o nosso interior, a capacidade de resolver as coisas. Fomos todos criados por Ele. Para quê magoar e ferir os nossos, amados e estimados, irmãos?
Como o Padre António Vieira disse, os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; praticam ações distintas da sua pregação; pregam-se a si próprios e não a Cristo e como os ouvintes não querem receber a verdadeira doutrina seguem as ações negativas dos pregadores e não as suas palavras; servem os seus caprichos em vez de servirem a Jesus Cristo.
Estes sermões são a realidade concreta! Porquê ocultarmos tal facto?
Paremos a tempestade que estamos a construir! Pisemo-la! Mas por amor de Deus, ajudemo-nos todos com Irmãos!
Peço, portanto, que vós, que não estadeis à espera que o resultado da missão fosse este, aceitai e encarai estes factos como Deus quer que o façamos!
Maria José Sousa, 11º D, nº 20

Um colono


A terra ainda é castanha, o céu ainda é azul e os índios ainda são vermelhos, daqui para a frente não terão mais cor, serão apenas escravos.
Escravos não têm cor, escravos não têm vida. Daqui para frente nem a terra e o céu terão cor. Sou um sugador de cor, é a minha vida. Sugo a vida de tudo o que está à minha frente. Somos colonos da morte. Gostamos e queremos colonizar a morte. É mais fácil assim. Os peles (que já não são) vermelha, são desconhecidos para mim e assim é mais fácil. Se colonizar logo a morte não existirão perguntas nem sentimentos de desconforto.
Somos felizes assim, acabando com a vida, nem conhecemos a outra realidade. Daqui para a frente nem pensarei sequer nos seus sentimentos, daqui para a frente não existirá eu e eles, pois só eu e os meus importa.

Elsa, 11º E

Os pensamentos de um inquisidor



                “Ele chega hoje e dirige-se de imediato à igreja de S. Roque assim que o navio atracar no porto. Estarei lá para ouvir e condenar o seu sermão pelas ideias controversas que apresenta contra a cristandade da igreja!
            A fachada é extremamente simples, porque escolheu ele este lugar?”
            O inquisidor entra na igreja e benze-se de olhos postos no chão, retira do bolso um lápis e um pequeno livro, onde anota todos os seus pensamentos, e seria exatamente isso que faria agora.
            Levantou os olhos para o púlpito de onde Vieira faria o seu sermão. De repente sentiu-se extasiado. Boca aberta, exprimindo a sua surpresa; olhos esbugalhados, tentando absorver cada detalhe: a talha dourada que ornamentava as belas capelas, as colunas preenchidos com videiras (simbolizando o vinho, sangue de Cristo), as belíssimas esculturas de mármore, todos os quadros nas paredes e pinturas no teto que, como ele sabia bem, simbolizando a auto afirmação da fé da igreja que idolatrava.
            Começavam a chegar os nobres, que se sentavam nas suas cadeiras ali colocadas pelos seus pajens no dia anterior; os diferentes membros do povo que, de pé, se acomodavam, ocupando gradualmente o chão de toda a igreja. Aos poucos o auditório do Padre António Vieira chegara e o Inquisidor aparentava apenas conseguir apenas concentrar-se nas pinturas do teto…
            Como eram belas! E os brasões! Em pedra, como os anjinhos que preenchiam as paredes de algumas capelas e, na cabeceira da bela igreja de salão, com a sua bela fachada de templo simétrico, com a estátua da virgem em baixo… e como era bela, com o seu olhar humanizado e o menino ao colo. Como o enchia de ternura tal imagem.
            O sermão já havia começado. Todos atentos, excetuando o Inquisidor, que nem notou a presença de Vieira… deambulava pela igreja apreciando as magnificas obras de arte, os azulejos que revestiam as paredes, o órgão revestido a ouro, a capela encomendada por D. João V, com o seu chão de mosaico reluzente e os mármores resplandecentes, a capela de Nossa Senhora da Piedade, onde ela segura o corpo sem vida de Cristo. – O Inquisidor torna a benzer-se – as colunas torças, as esculturas em vulto… tudo tão belo.
            Agradado por toda a beleza em seu redor o Inquisidor pega no seu caderninho e escolhe a capela de S. Roque para desenhar um ou outro detalhe… e o discurso decorre sem a sua atenção…

Francisco, 11º D

Relatório de um Inquisidor



Relatório: Igreja de São Roque

Caminho em direção ao templo de Deus onde escondido sei que está o padre António Vieira.
Esse infame, que nos seus sermões questiona verdades inegáveis! Há que defender a justiça de Cristo, há que agir.
Mas eis que ao entrar nesta divina catedral, me paraliso com o esplendor que observo. De fora a catedral parecia simples e não muito convidativa, mas no interior…
Ai no interior… Ostentam riquezas por todo o lado. Em cada arco que vejo, descubro infinitos pormenores; relevo a relevo, os meus olhos caminham sobre as colunas com nervuras e efeitos vegetalistas, sobre todas as estatuetas, todas as suas feições.
Nunca tanto ouro vira em parede! No chão! No teto!
Anjos de mil faces cobrem a igreja, pinturas… que por detrás de cada história mostram cores garridas como vermelho sangue ou azul do mar, tantas sombras num só quadro hipnotizam a minha vista.
Todo o instinto sensorial que agora me percorre, invade a minha primeira missão de determinadamente banir António Vieira. Pois Virgens e santos parecem falar comigo, até o próprio Cristo… O Próprio Cristo sepultado me murmura, só depois percebo que é uma estátua.
Cada galeria desta igreja, tem uma história construída numa forma tão requintada e pormenorizada, que sem me dar por isso já quatro horas passaram e eu ainda especado permaneço no mesmo lugar.
 Compreendo então o amor que António Vieira tem a esta local, mesmo que pouco merecedor do mesmo.
Admito derrota enquanto admiro, uma última vez, o brilhante órgão que se encontra no piso superior. 
Posso ter sido iludido pelo esplendor de sua casa, pelo belo eco que a igreja de tetos altos tão bem projeta, mas mesmo que enganado, ao menos parto com uma imagem de beleza nos olhos.

Catarina Mauritti 11D

Um índio


Pensamento do Índio depois de ouvir um sermão do padre António Vieira.

Índio
Agarro na terra. Enterro as minhas mãos bem fundo no interior da mãe natureza, esperando de olhos fechados  interligar-me a ela.
Pelo que o sábio disse, o sal, ou eu o tenho ou a terra mo entrega, logo, se unidos ficarmos, em UM nos tornaremos.
Enrolar-me-ei nas folhas, rebolarei sobre os vastos campos. Procurarei encontrar o sal, caso ele não me encontre a mim.
Talvez não seja peixe, sou apenas um homem. Talvez um dia me nasçam guelras…
Até lá apenas, pacientemente, esperarei.

Catarina Mauritti, 11ºD