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domingo, 16 de junho de 2013

Diário da aula ao jeito de uma receita



Para elaborar a aula daquele dia, é necessário um ingrediente principal: a Questão Coimbrã.
Modo de preparação:
1º passo – Separe o Romantismo do Realismo Português (q.b). Para os distanciar relembre-se que o primeiro revelou um desgaste de temas e de formas que não estavam de acordo com os ventos renovadores da Europa. O segundo, por sua vez, transpirava os ventos que corriam da Europa.
2º passo- Descascar a sensibilidade ultrarromântica de António Feliciano de Castilho, de Lisboa, que transmitia uma influência literária a diversos escritores que o consideravam como mestre, como uma autoridade. Lembre-se de introduzir o pouco que resta dela, aos poucos.
3º passo – Introduzir a escola de Coimbra, dirigida por Antero de Quental. Lentamente misture-a com a Questão Coimbrã e com os restantes elementos necessários
4 º passo – depois de introduzir a Questão Coimbrã, faça surgir um segundo elemento, a Geração de 70 que vem acompanhada com Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, Teófilo Braga e Eça de Queirós.
5º passo – Destes passos, vão surgir as Conferências do Casino. Esteja atento (a) pois estas são bastante importantes e requerem atenção ao seu conteúdo individualizado.

6º passo – por fim, despeje tudo para um recipiente e leve ao forno por cerca de alguns anos, e no final terá o belo resultado de uma corrente literária bastante importante para o nosso país. Quando pronta, desenforme-a e aprecie todos os seus detalhes. Bom apetite!

O sarau


No Sarau tudo estava calmo. A música clássica ecoava junto das paredes da imensa sala, transmitindo uma sensação e experiência sonora única. Um pensamento de melancolia e prazer momentâneo surgia na mente dos ouvintes, dos que escutavam atentamente aquela maravilhosa melodia. Carlos e os restantes acompanhantes faziam-se vítimas deste pecado audível. Um pouco depois do início do sarau, estes viram-se obrigados a interromper o momento que a todos era agradável, resultado do discurso inconveniente e frio de Dâmaso:

- Ah…já havia saudades destes momentos de sossego mental, de puro prazer para os meus funcionais ouvidos! Não acha Sr. Maia? Pois eu, sempre que me era permitido ia lá em Paris assistir a muitos destes eventos. Eventos, mas não eventos assim…estes aqui são, como hei-de dizer…pobrezitos. A qualidade de pessoas não se compara à qualidade parisiense. Lá as pessoas vestem-se como se não houvesse o dia de amanhã. Trajes chiques, modernos, feitos por costureiras de renome das maiores e melhores casam francesas. Ah!, e para não falar que cada mademoiselle tem o seu chien. Mas não são cães daqueles de cá de Portugal, não…não são rafeiros alentejanos. São cãezitos peludos cujo tamanho permite às senhoras que os carreguem a seu colo. Sim, porque lá é permitido ir às óperas e aos saraus com animais, nomeadamente ao colo. Enfim, é uma questão de superioridade e de princípio. Coisas que este país não entende. As melhoras são o que eu desejo a Portugal, mas até estas surgirem, irei com todo o meu gosto e prazer visitar o meu tio a Paris. Aqui entre nós, não é só por causa dele que vou àquela terra. Vou lá para gozar e aproveitar os ares. Ah e ainda não falei das… - Dâmaso não continuou mais o seu discurso. O grupo de pessoas que se situavam no camarote de cima esqueceram-se das maneiras da época e com um grito uníssono mandaram calar Dâmaso. Posteriormente, o sarau continuou como era suposto. Rico em música soberba, sem quaisquer outras distrações. 

Catarina Pires

Resposta da Mulher Citadina a Cesário Verde



Por muitos sou julgada. ´
Por usar as últimas tendências.
Dizem que não sou nada
Nada sem a minha imagem
Mas na verdade, não existe ninguém
Que me conheça verdadeiramente
Nos dias de hoje não há mais
Discriminação acerca do estilo
Acerca da maneira de vestir
Mas será que isso é verdade?
Por que razão (in) conscientemente julgam
Adequam ideias ao conforme a vontade?
No que diz respeito à minha pessoa
Sem sequer demonstrarem interesse
Em conhecer o que se encontra
Para além das vestes?

O silêncio me responde.

Catarina Pires, 12 E