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domingo, 29 de janeiro de 2012

Oficina de escrita



Grande Inquisidor
Fui por si enviado para presenciar um sermão de Padre António Vieira e desse modo poder encontrar algo que o pudesse incriminar perante o nosso Tribunal da Inquisição.
Chegado a Lisboa, dirigi-me imediatamente para S. Roque, nada me fazia prever o que ali encontraria, apenas com o meu espírito sossegado faria o meu trabalho completamente convicto das minhas ideias sobre António Vieira e a sua incómoda e insinuante “voz”.
Após ter subido tortuosas ruas Lisboetas encontrava-me perante a Igreja, um edifício de fachada simples e austera, perfeitamente adequada aos cânones da igreja reformada, mas o seu exterior pouco ou nada me interessou, o meu trabalho chamava-me.
Centenas de pessoas encontravam-se à sua entrada, umas sentadas nas escadarias, outras em pé já prontas a entrar, outras observavam à distância com uma réstia de esperança que pudessem também elas entrar para ouvir um dos tão falados sermões de St. António. Eu, claro, dispus-me logo a entrar, não perderia por nada esta grandiosa oportunidade de incriminar este homem.
Foi nesse momento que, falando honestamente, me surpreendi como nunca antes me havia surpreendido. Nada me fazia prever a beleza estonteante, ou a riqueza que predominava aquele espaço. Fiquei completamente ofuscado, e terei de ser sincero, rapidamente esqueci o meu objetivo, apenas o meu olhar se prendia, às paredes, ao espaço, à arte, sem palavras era a minha situação.
Era um espaço amplo, um verdadeiro exemplar de uma igreja auditório, pronta e concebida para as melhores pregações, variadíssimas capelas preenchiam as suas paredes, claramente o barroco estava bem presente, mas a mais espantosa era sem dúvida a capela de S. João Baptista, uma autêntica obra-prima da arte italiana, única no mundo, constituída por quadros de mosaico, representando o Batismo de Cristo, o Pentecostes e a Anunciação, que beleza, quantos mármores ali se encontravam, o rico dourado com o esplêndido azul, de levar as lágrimas aos olhos do mais frio dos homens.
Todo o seu interior está repleto de telha dourada, pinturas e azulejos, quem poderia imaginar? O seu coro encontra-se estrategicamente posicionado nas costas dos fieis sobre a entrada principal.
Até a sagrada natureza impõem a sua presença, elementos botânicos revestem as paredes, as colunas entre outros, nos nichos sobre os dois púlpitos há estátuas de mármore branco dos quatro Evangelistas. No piso superior da nave está um conjunto de pinturas a óleo de beleza incomparável. Que horror ao vazio, sem comparação, tudo completamente coberto de arte, é uma exuberância, um dramatismo e dinamismo.
Por fim o meu olhar é puxado para o teto, quem haveria de dizer, que magnificência, um jogo de ilusão e riqueza, tais pinturas elevam o mais serio dos fieis a um estado espiritual fantástico, enganam o mundo com tais jogos, terei de me explicar melhor senhor, mas como, é como se duas abóbadas ou varandas se erguessem acima de nós, mas são falsas quem diria?, um espanto!
Mas bem, no momento que em Padre António Vieira entra e se mostra a nós toda a Igreja se cala para ouvir, as suas palavras começam a surgir, cria-se um ambiente, primeiro de felicidade, depois exaltam-se as almas, a verdade, a crua verdade é proferida, tão certa, tão sentida, uma revolta sincera, leva-nos puxa-nos para os nossos erros, para o nosso egoísmo e falsidade, quantos de nós estamos agora envergonhados pala nossa atuação na terra, quem somos nos para tais atitude, a mudança é imprescindível, necessária e urgente. O tempo passa rapidamente entre palavras, frases, parágrafos, hora também já lá vão, quem se preocupa com isso, ninguém, ninguém. Este homem ganhou tudo, a confiança, a adoração, o respeito de todos aqui dentro, eu inclusive não sou exceção.
Então subitamente acaba, o seu objetivo havia sido cumprido, aquela plateia ia agora para suas casas com um novo pensamento, uma nova esperança…
Quem sou eu? Sou diferente deles? Sou um homem à espera da verdade, mas que não pensa nas suas atitudes. Pelo menos agora sou diferente do que era antes desta experiência.
O meu trabalho aqui está feito, de mim mas não se espera, não sei se o meu objetivo foi cumprido como desejado. Nada de mal poderei dizer deste homem, porque nada de mal ele tem ou diz.

Assim me despeço de si Grande Inquisidor




Mafalda Bernardo, 11º A

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Relatório de um Inquisidor


Trabalho sobre a visita de estudo a S. Roque




Suposto pois escrever algo de modo a que o Padre António Vieira seja julgado pela Inquisição, não o consigo fazer! Estou preso! Estou preso numa porta, a do Paraíso! Fiquei impressionadíssimo com a sua sabedoria
Longa distância percorri, não quero que vá em vão todas estas recordações. Recordações dos meus pesados passos a baterem na calçada branca, ainda nova, da multidão formada no largo, a perguntar sobre o que é que seria o sermão naquele dia, formulando frases, afirmações e interrogações, que foram deitadas dos seus corpos ardentes para o fresco ar, misturando-se com os cheiros das flores, dos cafés, das perfumes… Melodia harmoniosa se formava constantemente!
Quando já estava na altura de entrar, tudo, numa passada lenta e calma, tentava escolher o melhor lugar da audiência.
Ao entrar na Igreja de S. Roque, evidenciou-se um monumento ímpar! Composta por uma fachada simples e austera, o interior deste jesuítico é rico em trabalho de talha dourada, mármores policromados, azulejaria, composições em mosaicos, pintura, escultura e relicários. Uma igreja salão compacta, desenvolvendo-se em andares com galeria sobre capelas laterais e cuja achada rígida, e de uma grande simplicidade, se articula em superfícies lineares. Encanto infinito!
À medida que me ia deslumbrando cada vez mais, surgiam histórias e mais histórias, revestidas por uma fina e leve talha, que permanecia descansada sobre estas.
Anjos calmos, assim como crianças, criam um cenário familiar e harmonioso. Um santo pronto a dar a mão e ajudar quem mais precisa.
Pintura ilusória, com uma perspetiva conseguida de abóbada, sobre um teto de madeira com uma superstrutura de vigamento, define-se num sistema arcaizante.
A riqueza vocabular e domínio verbal, os paradoxos e os efeitos persuasivos, seduzem a clareza dos seus argumentos de tom, e certas subtilezas irónicas, que o Padre António Vieira torna a sua arte em algo magnífico como a Igreja o é!
À medida que falava, a sua boca ia-se abrindo numa lentidão imensa, as palavras voavam com expressividade, com delicadeza. Saboreava-se o momento! Palavras que se apreciam, que salgam a nossa mente. Salgam pois porque precisamos de tal cousa! Precisamos de que nos abram os nossos olhos. Ele apenas nos diz a verdade! Porquê ocultar este dom?! Esta dádiva?! Sabemos que Jesus nasceu, viveu e morreu na pobreza e apenas quer que sejamos irmãos! Porque nos interessamos, nós, se somos grandes, se somos pequenos ou médios? O que interessa são as nossas ações! Porque, afinal, andamos a salgar a nossa terra? Não podemos, simplesmente, deixá-la em paz? Mas para isso teríamos de magoar o próximo com interesses económicos ou políticos. Já chega!
Não nos interessa se, no exterior, somos diferentes. O que aqui interessa são as nossas ações, o nosso interior, a capacidade de resolver as coisas. Fomos todos criados por Ele. Para quê magoar e ferir os nossos, amados e estimados, irmãos?
Como o Padre António Vieira disse, os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; praticam ações distintas da sua pregação; pregam-se a si próprios e não a Cristo e como os ouvintes não querem receber a verdadeira doutrina seguem as ações negativas dos pregadores e não as suas palavras; servem os seus caprichos em vez de servirem a Jesus Cristo.
Estes sermões são a realidade concreta! Porquê ocultarmos tal facto?
Paremos a tempestade que estamos a construir! Pisemo-la! Mas por amor de Deus, ajudemo-nos todos com Irmãos!
Peço, portanto, que vós, que não estadeis à espera que o resultado da missão fosse este, aceitai e encarai estes factos como Deus quer que o façamos!
Maria José Sousa, 11º D, nº 20

Os pensamentos de um inquisidor



                “Ele chega hoje e dirige-se de imediato à igreja de S. Roque assim que o navio atracar no porto. Estarei lá para ouvir e condenar o seu sermão pelas ideias controversas que apresenta contra a cristandade da igreja!
            A fachada é extremamente simples, porque escolheu ele este lugar?”
            O inquisidor entra na igreja e benze-se de olhos postos no chão, retira do bolso um lápis e um pequeno livro, onde anota todos os seus pensamentos, e seria exatamente isso que faria agora.
            Levantou os olhos para o púlpito de onde Vieira faria o seu sermão. De repente sentiu-se extasiado. Boca aberta, exprimindo a sua surpresa; olhos esbugalhados, tentando absorver cada detalhe: a talha dourada que ornamentava as belas capelas, as colunas preenchidos com videiras (simbolizando o vinho, sangue de Cristo), as belíssimas esculturas de mármore, todos os quadros nas paredes e pinturas no teto que, como ele sabia bem, simbolizando a auto afirmação da fé da igreja que idolatrava.
            Começavam a chegar os nobres, que se sentavam nas suas cadeiras ali colocadas pelos seus pajens no dia anterior; os diferentes membros do povo que, de pé, se acomodavam, ocupando gradualmente o chão de toda a igreja. Aos poucos o auditório do Padre António Vieira chegara e o Inquisidor aparentava apenas conseguir apenas concentrar-se nas pinturas do teto…
            Como eram belas! E os brasões! Em pedra, como os anjinhos que preenchiam as paredes de algumas capelas e, na cabeceira da bela igreja de salão, com a sua bela fachada de templo simétrico, com a estátua da virgem em baixo… e como era bela, com o seu olhar humanizado e o menino ao colo. Como o enchia de ternura tal imagem.
            O sermão já havia começado. Todos atentos, excetuando o Inquisidor, que nem notou a presença de Vieira… deambulava pela igreja apreciando as magnificas obras de arte, os azulejos que revestiam as paredes, o órgão revestido a ouro, a capela encomendada por D. João V, com o seu chão de mosaico reluzente e os mármores resplandecentes, a capela de Nossa Senhora da Piedade, onde ela segura o corpo sem vida de Cristo. – O Inquisidor torna a benzer-se – as colunas torças, as esculturas em vulto… tudo tão belo.
            Agradado por toda a beleza em seu redor o Inquisidor pega no seu caderninho e escolhe a capela de S. Roque para desenhar um ou outro detalhe… e o discurso decorre sem a sua atenção…

Francisco, 11º D

Relatório de um Inquisidor



Relatório: Igreja de São Roque

Caminho em direção ao templo de Deus onde escondido sei que está o padre António Vieira.
Esse infame, que nos seus sermões questiona verdades inegáveis! Há que defender a justiça de Cristo, há que agir.
Mas eis que ao entrar nesta divina catedral, me paraliso com o esplendor que observo. De fora a catedral parecia simples e não muito convidativa, mas no interior…
Ai no interior… Ostentam riquezas por todo o lado. Em cada arco que vejo, descubro infinitos pormenores; relevo a relevo, os meus olhos caminham sobre as colunas com nervuras e efeitos vegetalistas, sobre todas as estatuetas, todas as suas feições.
Nunca tanto ouro vira em parede! No chão! No teto!
Anjos de mil faces cobrem a igreja, pinturas… que por detrás de cada história mostram cores garridas como vermelho sangue ou azul do mar, tantas sombras num só quadro hipnotizam a minha vista.
Todo o instinto sensorial que agora me percorre, invade a minha primeira missão de determinadamente banir António Vieira. Pois Virgens e santos parecem falar comigo, até o próprio Cristo… O Próprio Cristo sepultado me murmura, só depois percebo que é uma estátua.
Cada galeria desta igreja, tem uma história construída numa forma tão requintada e pormenorizada, que sem me dar por isso já quatro horas passaram e eu ainda especado permaneço no mesmo lugar.
 Compreendo então o amor que António Vieira tem a esta local, mesmo que pouco merecedor do mesmo.
Admito derrota enquanto admiro, uma última vez, o brilhante órgão que se encontra no piso superior. 
Posso ter sido iludido pelo esplendor de sua casa, pelo belo eco que a igreja de tetos altos tão bem projeta, mas mesmo que enganado, ao menos parto com uma imagem de beleza nos olhos.

Catarina Mauritti 11D

domingo, 18 de dezembro de 2011

Relatório de um inquisidor




Vós, que dominais os seus ouvintes e marcais o seu futuro com heréticas ideias, tendes a vossa fortuna dominada e marcada por mim, e sentenciada pelo santo tribunal. Deitou-me Deus a bênção que vos condenasse, de pavorosas ideias, e vos encaminhasse para o inferno donde saístes.
Por isso dirijo-me ao Santíssimo Tribunal e escrevo ao Grande Inquisitor.

 Vossa santidade, meu prestigioso padre e símbolo do Santo Tribunal.
Como vós rogastes, em 1642 no decorrido dia 5 de Fevereiro, a minha pessoa encaminhou-se em direção à Igreja de São Roque e assim me dispus para declarar a culpabilidade do padre e das suas ideias heréticas. Sobre a grande majestade de São Roque assim me deparei com um dilema.
Como? Sobre tanta graciosidade barroca pode um homem sentir tanta aversão e rancor? Como? Ouvindo palavras mais belas e perfeitas posso repugnar o seu pregador?  Ideias nobres sobre um chão de luz, tal voz prolongada sob um teto grandioso, e uma emoção tão cativante rodeada de uma arte magnífica, sinuosa, simples e complexa.
Hipnotizado pela luz incandescente na simplicidade do estilo maneirista e na ornamentação do barroco português. Talvez vossa santidade, tenha sido manipulado por forças de um demónio ou encaminhado em direção à luz por um anjo, pois tal milagre gracioso só poderá provir de tão bela arte, de capelas douradas, de tetos grandiosos como pantheon romano, tal altura que atinge os céus e eleva os fiéis a um plano de simples pureza e palavras poéticas e sensatas.
Livrai-me desta manipulação, pois eu sozinho não me domino e não consigo subjugar as letras, as sílabas, as palavras, as frases e os textos deste padre demoníaco.
Soltai-me destas amarras de ouro puro, pois quem mas prendeu, foi esse Padre António Vieira.     

Diogo Dias. 11º A

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Relatório sobre o Museu de S.Roque



Entrei naquela igreja  e estava decidido iria apontar todos  os erros  e heresias que aquele Padre faria . Porque não poderia ele ser um Padre como os normais ? Apenas citava a Bíblia , rezava e estaria tudo bem porque teria feito a sua função . Mas não , o Padre António Vieira , pregava sobre o que não estava autorizado ser dito.
Confesso que nunca realmente pensei na hipótese daqueles peles vermelhas serem ouvidos, nunca  nos fizeram pensar realmente sobre isto  e por isso parecia um pouco disparatado dar ouvidos a um selvagem .
Sentei-me no último banco, ao fundo da igreja de S.Roque, que estava cheia de gente para ouvir os  tão famosos sermões que faziam toda a gente pensar .
Enquanto o Sermão não começava, olhei de relance para o teto como quem parecia aborrecido, mas fiquei surpreendido. As pinturas eram tão realistas , os detalhes , as cores todos os elementos daquela igreja eram fascinantes . A riqueza, o pormenor   deixaram-me boquiaberto. Tinha de admitir aquilo sim era arte .
O sermão começou ,começou como todos os normais , até aí não havia problema nenhum. Mas depois começaram os problemas , aquelas criticas todas seria a primeira coisa que apontaria no meu caderno, se não visse o quão correto estava .
Este padre não era nenhum herege, mas sim um homem com um dom não só da palavra, mas da antevisão do futuro. Tudo o que ele dizia levou-me a  refletir. Pensei nas atitudes do ser humano, nos trabalhos alheios que eliminei e sobretudo na igualdade .
No fim do Sermão levantei-me e nunca  me tinha sentido tão tranquilo e tão pensador. Dei um passo em direção à porta e pensei:” A partir de hoje , irei tornar-me numa pessoa melhor .” Sem pensar duas vezes rasguei o meu papel que mais parecia uma lista infindável de tarefas e percebi que não mais voltaria a ser assim. 

Mariana Araújo, 11º E

Relatório

Joana Almeida nº 13 11º E 


Toda a minha intenção era chegar perante aquela Igreja e conseguir alguns argumentos que levassem aquele Padre ao tribunal da Inquisição. 
Ele tinha acabado de chegar e diziam ser tão bom, mas tão bom não poderia ser, digo eu. Mas no momento não sei se caí de joelhos a ouvir-lo pregando ou se foi de toda aquela beleza que a Igreja transmitia. 
Levantei o meu pé suavemente para a frente, como tinha feito aquele caminho todo, mas quando toquei naquele chão dirigiu-se uma luz ofuscado-me os olhos de toda a maravilhosa "paisagem", de todo seu ouro e cor lindíssima que me encantou logo ao primeiro minuto de postura naquele local. 
O lápis e o pequeno caderno que suportava nas minhas mãos caíram no chão. De estar tão paralisado ouvi o som dos mesmos de uma forma profunda a caírem ao meu lado. Se toda a gente tivesse assim, paralisada, ouviriam aquele som a mil metros de distância. 
Não me conformei com aquela beleza toda e movimentei a minha perna ligeiramente para a frente, rodando a minha cabeça e o meu corpo para olhar em meu redor, como se estivesse louco ou até mesmo apaixonada. E sim, apaixonei-me de uma forma intensa por toda esta beleza. As pinturas a óleo que a sua nave continham fizeram meus olhos brilhar. Nos dois púlpitos existiam estátuas de mármore branco que me fizeram abrir ligeiramente a boca de tanto encanto, todas aquelas figuras religiosas que eram homenageadas por toda a parte da igreja e no fundo mexiam com os meus sentimentos. 
De certa forma todo o estilo barroco e maneirista esta ali exposto, as talhas douradas, as pinturas, os azulejos...
E ouvir todas aquelas palavras, aquele sermão ainda deu mais encanto a minha visão.

Visita de estudo: relatório de um inquisidor



- Não posso! – Pensei eu enquanto aguardava o silêncio dos ouvintes para começar o sermão. Mas não fui capaz nem sequer de me recordar de uma única das suas palavras.
Apenas me saiu do fundo do peito as seguintes palavras:
“Aqui respira-se arte. Respira-se esplendor! Basta-nos olhar para a as talhas douradas aqui presentes que a nossa alma é invadida de pureza. Já para não falar de todos os santos cá presentes, são de facto a melhor manufactura que vi até entao. Esta amplitude faz-nos voar e pairar sobre toda esta estrutura maneirista. O mármore… As telas… Os painéis dos azulejos meus ouvintes! Já reparam na virtude que é estar aqui; aqui nesta igreja, que não é uma simples igreja, é de facto um espaço cénico e que ganha vida com um simples profundo olhar.
Deem graças ao grandioso Filipe Terzi, arquitecto que fez deste local, um cenário brilhante, realçado pelos jogos de claro/escuro maneiristas e pelos cuidadosos efeitos de iluminação das pratarias.
Reparem o que seria adormecer a contemplar o medalhão presente no tecto. Acordar e contemplar o estilo barroco da capela do santíssimo. Reparem! Seria uma dádiva.
Mas lamentável é dizer que talvez tenha sido a primeira e a última visita a este espaço. Dos cinco sentidos que todos temos, levo do olfato o cheiro da igreja assim que dei o primeiro passo, levo do tato apenas o puro ar que me passa pelas mãos como cetim, levo da visão … ai a visão… levo todo este dourado, este mármore e azulejos, e finalmente do paladar, levo o sabor que ganham as palavras referidas a tudo isto, porque até elas ganham outro sentido.

Mariana Santos, Nº21, 11ºE


domingo, 11 de dezembro de 2011

Trabalhos sobre a visita de estudo a S. Roque


      
Hoje vou à igreja jesuíta de São Roque incriminar este mesmo senhor que merece ser executado! Mas de onde lhe vem a ousadia de divulgar as suas opiniões e heresias?!
     Começo a minha visita e observo uma igreja com uma fachada simples e austera. Como pode ser esta igreja importante se nem sequer parece uma igreja e se parece mais a um insulto às outras igrejas? 
A minha opinião permanecia sólida até que decidi entrar na igreja e ao assistir a toda aquela beleza até me esqueci do que ia lá fazer.
     Apesar da austeridade na fachada, o seu interior revelava muita decoração, como que uma grande agitação e confusão agradável. É uma enorme igreja salão de onde se consegue ouvir e ver na perfeição o pregador. Olhei para cima e fiquei ainda mais maravilhado com o teto excessivamente ornamentado e com toda a tentativa da ilusão. Ao primeiro olhar vemos uma decoração assimétrica, com uma estrutura livre.
     Ao apreciarmos todas as capelas ficamos impressionados com a decoração: as linhas curvas, os elementos ornamentais vegetalistas, aqueles pequenos anjos e serafins de ouro, os quadros com relatos da bíblia, toda a decoração é elegante, cheia de simbolismo e movimento que deixa qualquer um reticente à opinião negativa. Mas mesmo assim há duas capelas que marcam o coração de quem as olha, como a capela da doutrina que marca pela sua decoração dramática, forte e intensa. Aquele impacto visual e emocional do Cristo morto leva qualquer pessoa à conversão. Outra capela marcante é a capela de São João Batista, onde está representado o batismo de Cristo e a anunciação, a riqueza artística está presente na decoração da capela desde a talha dourada, a composições em mosaicos, pintura, escultura e mármores italianos.
     Toda e decoração é de natureza religiosa e moralizadora, tal como os sermões de Padre António Vieira, esta estética deixa qualquer inquisidor com a sua intenção abatida pela beleza e emoção divulgada pelo barroco da igreja, e sendo eu humano também gosto de apreciar o que é bonito e pela primeira vez deixei-me levar pelo prazer visual que esta igreja transmite.
Rita Martins Viela
11ºA ; Nº19

Visita de estudo


Relatório de um inquisidor deslumbrado

A minha mãe costumava dizer-me muitas vezes que havia escolhido este meu nome para mim, pois acreditava na força e liderança que ele transmitia. ‘’Ousadia, força de vontade, líder por natureza, que atrai as outras pessoas com seu entusiasmo’’. Dizia-me também que boa pessoa era aquela com o mesmo nome que eu. António. Mas não. Ele não. Ousado sim, mas certamente não boa pessoa. Com os seus sermões que diz de natureza pluralista e com conversas de salgador, atrai os outros e envolve-os em mentiras que não mais podemos tolerar. O copo há muito que tem sido enchido, pouco a pouco, e agora, transbordou. A Inquisição mandou-me hoje aqui acabar com esta brincadeira há muito suportada e há muito tolerada. Não há nome que o salve ou sermão que me impeça de cortar pela raiz tamanha ousadia que tem vindo a mostrar há tanto tempo.
Ao percorrer estas belas ruas lisboetas, preparo-me para o que se irá suceder. Penso no que poderei escrever sobre aquele herege. Mas agora, com um pé dentro e outro fora desta Igreja barroca de São Roque apercebo-me que nenhuma preparação poderia antever tal situação. Por momentos ainda tentei resistir contra tal deslumbramento e tentei desviar o olhar de tamanha beleza. Não era disso que se tratava. Não podia desconcentrar-me. Porém era tão bela, tão exuberante! Sabia que dentro de momentos toda a viagem até àquele luxuoso edifício deixaria de fazer sentido. Nem António, nem sermão, nem mesmo o meu trabalho como inquisidor faziam sentido naquele momento. Aquela Igreja que quase nos arrancava os pulmões do peito e nos deixava a sufocar ali no meio, era o centro dos meus pensamentos. Toda a teatralidade das deslumbrantes ornamentações, revestidas de cima a baixo com o luxo que apenas uma talha dourada pode conceder. Se D. João V pretendia valorizar a sua imagem ao mandar construir tão imponente e poderosa igreja, bem, a meu ver, foi muito bem conseguido.
Como católico que sou e cuja vida dedico inteiramente à prática e manifestação das minhas crenças, nunca nenhuma outra igreja me havia tocado e deslumbrado de modo tão fogoso e sufocante. É como se todos os meus sentidos tivessem sido acionados, todas as minhas emoções, desde que passei por aquela porta. Esta aura religiosa envolve-me como nenhuma outra é capaz de o fazer.
Toda a Igreja parece movimentar-se. Parece que dança à minha volta e me canta ao ouvido. Ao olhar para o fundo, não o vejo. Todos estes jogos de claro-escuro tornam-na infinita, irreal. O teto, maravilhosa e rigorosamente pintado e que parece prolongar-se além do infinito, fez deslizar uma lágrima pelo meu rosto. Todas as oito capelas à minha volta, tão dramáticas e douradas provocam a mesma emoção em mim. Encontro-me agora no meio da igreja a chorar como um bebé acabado de nascer. Acho que era esse o objetivo. Todo o edifício foi construído para apelar aos sentidos como nenhum outro. Foi construído como um livro de histórias é escrito, para contar a nossa história, a história da nossa Igreja.

Joana Tomás, nº 16, 11º D

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Visita de estudo: relatório de um inquisidor



Relatório – Inquisidor a São Roque                                    
   1662.11.16
   Fresco da recente chegada a Lisboa, Padre António Vieira não se deu bem quando se apercebeu que o seu velho companheiro protetor D.João IV tinha falecido no ano de 1657, ainda antes de ele começar a ser desprezado e atirado para fora do Brasil pela sua incómoda “voz”. Homem de heréticas opiniões, não pode ser dotado de louvor ou valor como os outros pregadores que tão bem ocupam a sua ocupação enquanto pregadores.
   Venho hoje a São Roque, procurar e anotar a sua ousadia e incriminar as suas palavras, como inquisidor sólido que sou.
  Ou venho, eu hoje, como inquisidor afortunado que sou, ou como homem comum, espantar os meus adormecidos conhecimentos e deslumbrar o encanto que agora revejo em cada canto desta igreja: o canto da simplesmente espantosa arquitetura barroca desta igreja, ou o canto cantado das palavras soltas p’lo Pe António Vieira.
  Não admira que São Roque, santíssima Igreja, tenha servido de exemplo a outras igrejas cristãs pelos cantos do mundo, como ouvira dizer: no Brasil, ainda em Portugal e também na Índia.
  Também não consigo deixar de reparar no estrondoso efeito acústico libertado pelas quatro paredes desta retangular igreja.  Será o efeito estrondoso p’la supremacia e virtuosa arquitetura retangular e escultura e pintura barroca – acompanhando como efeito de requinte? Ou serão as palavras sermãozadas do Pe António Vieira tais, que de razão forte e voz consciente conferem um som elegantemente ritmado e movimentado? Ou serão um, os dois só?
  Falando em detalhe, repare-se no barroco entranhado nesta caixa de igreja que parece assim mais um baú de tesouros. Arcos de volta perfeita, denotam vestígios por aqui passados do Renascimento. Os frescos e esculturas que de forma sensacionalmente rigorosa, realista, naturalista e teatralesca retratam perfeitamente a vida dos santos e mártires. Esplêndida a fantasia espanejada nesta libertação espacial simétrica entre capelas e entre frescos e entre as ideias e rezas por aqui passantes.
  Entendo agora a designação de Barroco. Pérola é a unidade da magia festiva que por aqui inquieta entre artes barrocas. Reparo agora, como por exemplo, na minha frente – Capela Italiana de São João Batista. Que Luxo! E por luxo entenda-se peças escultóricas e ornamentadas, mosaicos vidrados espalhados por chão, paredes, pelo teto. Fantástico exemplo da finalíssima época Barroca.
  Num encanto auditivo, se me torna o corpo, agora, num frente a frente ao púlpito onde se encontra presente Vieira. Que hei-de eu pensar, se me invade num tom que parecendo celestial, ritmado de elevadíssimo elegância e movimento, o jogo com que o Padre despe as suas palavras em ideias pelas suas ideias em encanto? Um estilo de círculos concêntricos de uma clareza  e graça levíssimas em que a expressividade da sonora poesia não estaria melhor contextualizada e acompanhada se não num lugar de tanto barroco. Completam-se metáforas e esculturas, ironias e pinturas, o sermão e a saudável saudosa arquitetura.
  Rebato-me sobre o chão – olhando o teto. Fascinado com o que vejo, sem mais nada para dizer ou conseguir, esqueço-me ou faço-me esquecer de razões que por aqui me trouxeram.
  Quem se atrevera a acusar ou alegar tão consciente e verdadeiro imperador defensor das mais desfavorecidas classes, como índios, como escravos, que se não fazer o contrário e querer prendê-lo entre celas como a liberdade desses seres, estão presas por entre as mãos secas de quem os manda? Quem não ouve a voz pela razão e que pela razão da doutrina oferecida se queira recusar.
  
Gabriel Filipe Duarte Gonçalves
n 10   11 E, Português


Visita de estudo: relatório de um inquisidor




Ao entrar em S. Roque, era impossível não se ficar hipnotizado com as brutas e suaves palavras que se ouviam penetrando cada canto da igreja. Cada palavra que era dita, cada pausa que era feita, era como se fosse apenas direcionada para mim, toda a sala desaparecera naquele instante, eu era o único público do padre António Vieira.
Senti-me absorvido por todo daquele encanto, de repente já não era o temível Inquisidor, era apenas um inculto no meio de tanta sabedoria. Deixei-me levar pela dramatização do ambiente onde estava inserido. A minha imaginação começou a voar pelas talhas douradas, pelas imagens dramáticas, pelos motivos florestais. Apenas com o olhar, o seu encanto era como se me tocasse ao de leve o meu corpo. O excesso era excessivamente entusiasmante, pois senti que podia passar horas a analisar casa canto. Todos os cantos e recantos eram simetricamente perfeitos, tudo tinha um objetivo, deixei-me levar pelas ilusões e pelo infinito. Era fácil ficar cativado por tal encanto, nas paredes tínhamos imagens que valiam por mil palavras, não era necessário ter grande instrução para perceber que ali se encontravas representados os mais variados temas religiosos.
Por fim, reparei que eu não era digno de estar no meio de tanta complexidade, pois não era uma pessoa complexa, mas sim humilde, uma palavra que parecia não entrar pelos portões da igreja.
Ao sair era impossível não trazer comigo um saco de sabedoria às costas, cheio de perguntas sem respostas, daquelas que nos fazem pensar durante dias, cheio de novos conceitos e perspetivas. 

Elsa Severino nº9 11ºE