terça-feira, 15 de novembro de 2011

O pensamento de um colono e de um índio



 
Índio
Lá estava eu em S. Luís do Maranhão a ouvir aquele homem que parecia saber muito. Era dotado de uma inteligência tal, que parecia falar uma língua universal. Uma língua percetível por todos, quer por colonos, quer por índios, como eu. Gosto da sua maneira de pensar, parece que lê os meus pensamentos à medida que divulga a sua palavra com aqueles olhos sábios que fazem um raio-X à terra e à mente das pessoas. Aquele homem, de quem agora era seguidor, despejava verdade e espanto na cara dos meus companheiros.
Se toda a gente se questionasse sobre os assuntos ali referidos, o mundo seria muito melhor e nós não sofreríamos tanto…


Colono
Estava a perder o meu tempo e não conseguia sair daquele local. Parecia que os meus pés estavam colados ao chão. Olhava para as pessoas à minha volta e estas estavam como hipnotizadas com aquele “discursozinho ” do Pe António Vieira. Parecia que o pregador tinha um íman nas palavras, que fazia os olhos metalizados do povo olhar para ele e sorrir, como se estivesse a dizer algo com muita sabedoria e importância. Estava a falar de sal e terra, terra e sal. Eu de alguma maneira entendia o que ele falava, como se essas palavras se transformassem noutras dentro do meu cérebro.
Não entendia o motivo de ele dizer que existia corrupção. O mundo está muito bem como está. Nós ordenamos e os Índios obedecem. Não entendo como pode haver tanta gente a concordar com o que o diz, simplesmente não faz sentido nenhum. O mundo sempre foi assim e assim vai continuar a ser!

Vanessa Correia Carvalho Nº26 11º E





A crise é ótima para adormecer




 
Atualmente, vive-se no mundo em tempos de crise. Quem não sabe!  Todos os dias somos "bombardeados", aqui e ali, agora e daqui a pouco, por questões que já aborrecem qualquer pessoa, de certa forma. Também dão alguma sonolência.
 Fala-se e opina-se tanto sobre a crise, que já cansa. Sempre que se liga a televisão fala-se de crise,  sempre que vou no carro e ligo a rádio fala-se da crise, quando vou no autocarro oiço palrarem sobre a crise. E depois admiram-se que as pessoas andem stressadas, maldispostas, sem vontade de trabalhar! Bem-visto.
 Os políticos, os governantes, que concebam e concretizem - se não for pedir muito  (hãa)  - o seu trabalho. Que tratem do problema do país!
 Tudo bem, que todos nós somos do Tejo, isto é, Portugueses, mas com tanta informação negativa sobre os mesmos temas e da forma como eles nos são transmitidos, já começam a dar sono!
 Se soubessem equilibrar a informação que transmitem pelos meios de comunicação aos ouvintes, talvez estes conseguissem encarar melhor o problema. A crise tornou-se um tema que já se esgotou. Entrou em crise.


Gabriel Filipe Duarte Gonçalves, 11 E

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Visita de estudo

Igreja e Museu de S. Roque:



11º D e 11º E:  quarta-feira, 16 de Novembro, 9.30
11º A: quarta-feira, 16 de Novembro, 14.00

Português, História da Cultura e das Artes, Geometria Descritiva, Inglês, Projecto e Tecnologias.

Objetivos: 
 Conhecer um dos espaços privilegiados do Barroco em Portugal.
Relacionar as características da estética barroca nas artes plásticas com a estética literária de um sermão barroco.
Compreender o impacto da oratória do Pe António Vieira num espaço histórico significativo.

Para uma visualização do filme Raiz e Utopia

Aspetos selecionados:

O TEXTO:
- Estrutura: conceito predicável, tese, desenvolvimento/argumentação, conclusão
- tipos de argumentação (dedutiva, indutiva, por analogia, de autoridade)
- características do registo linguístico: tipos de frase: (declaração, interrogação) e de vocabulário: (confirmação, contraste, disjunção, causa-consequência...), interjeições...
- outros: a ironia, a repetição, jogos de linguagem, paradoxos, uso intenso da adjectivação e das imagens...


A PROSÓDIA
- expressão física/corporal, a expressividade das mãos
- expressão facial, a força do olhar
- relação palavra/movimentação
- entoação, expressividade dos silêncios, alternância forte/piano, acentuação das sonoridades

Sumários da semana de 14 de Novembro

Visualização de passagens do filme Raiz e Utopia:
Audição de um excerto do sermão e exercício escrito individual de síntese.
Visualização de partes do filme Palavra e Utopia.
O conceito predicável.
A retória e a prosódia.
Deixis pessoal e espacial.

Revisão dos processos fonológicos.
Visita de estudo sobre o Barroco à Igreja e Museu de S. Roque.

sábado, 12 de novembro de 2011

Brincar com as palavras


Sonorização

Correm-nos dias como hoje durante o ano inteiro, durante a vida inteira, dias melhores, piores e ainda aqueles que nem descrevemos.
Há quem os consiga ouvir melhor, ou pior, já da idade. Há quem já não os oiça apenas pela vida que lhes foi dada, tal como a língua que nos foi ensinada a falar, à qual o tempo retirou consoantes surdas, retirou o “C” a tantos “amicums”, e reservou-nos tantos amigos para o futuro. Há quem seja como o “P”, o “T” e mesmo como o “C”, consoantes surdas que se ouvem, tal como um surdo se ouve, mas não passa de um surdo, uma pessoa única, uma pessoa com dias como os nossos, mas que tem sempre um apelido que não lhe foi dado, mas que lhe foi imposto.
As transformações que as palavras sofrem são tantas, as pessoas põem e dispõem delas como se nunca tivessem reclamado, enquanto se esquecem de tudo o que já disseram, tudo o que fizeram para todo o abecedário se dar bem com todas as cordas vocais de milhares de pessoas, que se cruzam com as frequências que nos dão música, mas que uma consoante surda nunca irá ouvir, se continuarem a colocá-las em desuso.
Se forem tratadas assim, serão um dia mudas, tal como o “muto”, que nunca falou, tal como o surdo que nunca ouviu. Não conseguiram falar como o surdo nem ouvir como o mudo.


Ana Hermenegildo         Nº2        11ºA     

Ainda os processos fonológicos a brincar com a língua

A Aférese é um processo fonológico e pertence à área de funcionamento da língua, que ainda há pouco tempo seria conhecido por gramática. Consiste na supressão de segmentos. É talvez o processo fonológico mais utilizado pelos lusitanos, ganhando estes a vida a suprimir letras e levando-me a mim a dizer que em breve a linguagem gestual reinará, devido às constantes transformações pelas quais uma palavra passa, semelhantes a uma pessoa na sala de cirurgia plástica! A mesma por dentro, diferente por fora.
"Ainda", palavra que sofreu um processo, é atualmente uma palavra com duas versões, sendo os populares os maiores portadores de uma delas. Devido à nossa preguicite aguda, aquele esforço imaginário de enrolar a língua, bater com ela nos dentes, abrir a boca e soltar o som "A", os portugueses optam por transmitir um som mais fácil, contendo este esforço (quase merecedor de recompensa) para resumir a um simples "inda", tiram o poder concentrado naquela primeira vogal tão potente e concentram todo o seu esforço no som final da palavra, e é então com grande devoção que acabam por dizê-lo em grande (ou não) esplendor e adivinhem, sem esforço quase nenhum.
No dia-a-dia, no quotidiano, no ontem, no hoje e no amanhã iremos sempre encontrar-nos (por circunstancias da vida) com pessoas que julgamos serem melhores que nós. O mesmo se passa com estas duas vogais, que toda a vida estiveram no grupo das cinco melhores amigas e quando se encontraram nesta palavra, o "i" imperou, deitando para o exterior o seu som estridente e abafando a sua companheira. Acontece.
Talvez por uma questão de rapidez, recorremos ao uso da supressão desta vogal, é mais natural e fluido, e os populares (melhores alunos na escola da vida) usam esta palavra sem pensar duas vezes.
 

Mariana Cirurgião Nº19 11ªE

O que ficou da oralidade

Português - exposição oral, 12.10.2011
 
1º Parte, texto escolhido/lido:
 
Âncora -mar
Mar forte
Areia molhada
Vila do norte
Minha terra amada
 
Porto de pesca
Porto de abrigo
Numa manhã fresca
Encontro-me contigo
 
Horizonte aberto
Vazio na mente
Tempo tão incerto
Dor que não se sente
 
Sentado à beira do forte
Sinto a vida a correr
Quem se acha sem sorte
Nada tem a temer.
 
Pinto Paisagens
Escuto histórias
Vivo de miragens
Recuso memórias.
 
Valente homem do mar
Amada mulher em terra
Na boca um doce cantar
No coração, um grito de guerra.
 
Ondas murmurantes
Palavras perdidas
Ventos uivantes
Mensagens escondidas
 
Ele partiu,
Ela ficou
Ele não sentiu,
Ela chorou
 
Recolho agora o anzol
Um peso mentido
Vou rumo ao farol
Caminho não-escolhido.
 
Âncora lançada
Silêncio no mar
Um corpo caído
Obra esgotada
Nada a ultrapassar
Nada retido.
 
TAVARES, André . "Âncora - Mar"  (poema de amigo. Homenagem à sua terra natal).
 
2º Parte, dissertação sobre tema escolhido:
 
  "Comunicar com as massas" é o que artista plástico brasileiro reconhecido por todo o mundo - VIK MUNIZ, sugere com a sua nova exposição. E até então a sua maior mostra de artes.
 
  Quando olhamos para uma mera fotografia, por vezes não damos a atenção merecida. Quando a olhamos com mais atenção encontramos em cada quadro um duplo sentido, carregado de um pensamento filosófico e sensorial
 
  Materiais do quotidiano como o chocolate, manteiga de amendim, lixo, açúcar, poeiras, papel, diamantes e caviar são o meio que VIK MUNIZ utiliza para recriar não só paisagens, mas também como grandes nomes da fotografia, cinema e pintura. Criticando desta forma o mundo que nos rodeia, apresenta outras maneiras de compreendê-lo.
 
   Nesta exposição o espectador é convidado a ter um papel activo. Isto é, ganha vontade súbita de experimentar todas as obras e os seus diversos componentes.
 
3º Parte, improvisação:
 
O LUXO DO LIXO
 
  O luxo do lixo foi o tema que me calhou, por sorte ou por azar, na parte da improvisação dentro dos três minutos de avaliação oral que nos são permitidos.
  Este tema, o luxo do lixo, é algo com que não nos deparamos diáriamente, visto que, tal como nos sugere a expressão, um pouco paradoxal, é algo que abrange dois sentidos por natureza bem-distintos. Luxo: quando pensamos em  luxo, pensamos em riqueza, dinheiro, poder, valor económico ou simbólico, algo raro, enquanto que quando pensamos em lixo: pensamos em restos, porcarias, algo sem valor algum, sem funcionalidade ou utilidade, entre outros.
  Quando confrontado com este tema de improviso, surge-me num instante em mente, o tema que tratara no espaço da dissertação sobre VIK MUNIZ e a sua mais recente mostra de artes qe sugere a comunicação com e entre as massas. E surgiu-me de imediato, porque este grande artista plástico brasileiro, tal como é intitulado o tema da minha improvisação, expõe nas suas obras o valor do luxo do lixo. Isto é, através do lixo das lixeiras e com ajuda de muitos catadores trablhadores nessas lixeiras, MUNIZ consegue projetar, através do desenho, materias físicos e fotografia, obras de arte únicas com um elevadíssimo sentido concetual que jamais outro material conseguiria conferir aos seus trabalhos pela sua característica única enquanto lixo.
  E não só pela ideia, VIK MUNIZ consegue juntar um grande grupo de pessoas catadoras - empregando-as no seu projeto, como o próprio trabalho final em si - o artista não só consegue criticar o modo de ver o mundo, como consegue conferir ao lixo, ao seu ato de empregar enquanto artista estas pessoas e ao seu trabalho final - o valor de luxo, dada a sua raridade, excentricidade e originalidade.
  Com isso provou que o lixo também pode ser útil e  funcional, através da reutilização e reciclagem.
  E assim o lixo ganha lugar entre os luxos.
 
Gabriel, 11º E